sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Jovem Quarentenada

  


Uma pessoa que conheci pela internet, durante a quarentena, me perguntou como estava me sentindo com esse novo modo de viver. É difícil achar uma única forma de responder essa pergunta, ou um só sentimento exato que descreva meu estado. 
Direi então como eu estava antes da quarentena. Uma mulher entrando na fase adulta quer encontrar seu lugar nesse mundo louco, vai conquistando sua independência. Assim estava eu, aprendendo a ser adulta. As coisas já pareciam complicadas, mas não imaginava o quanto elas podiam piorar.
Quando a quarentena foi decretada, ao mesmo tempo que me desesperava por esse processo interrompido, tentava manter o mínimo de controle que alguém com ansiedade já não tem, na esperança de não estar louca ou morta no dia em que isso acabar, e a Terra voltar a rodar. Parece que eu deixei minha vida do lado de fora, e entrei em casa, aguardando o momento em que seja seguro trazê-la para perto de novo.
Sinto falta dos meus avós. Para quem não sabe, eu já havia perdido minha avó há uns anos e durante esse período perdi o meu avô também. Me sinto sozinha. Em todos os sentidos. O tempo nem parece mais ser o mesmo que aprendi a decifrar na escola, anos atrás...
Tudo é igual e longo. Quanto mais perto do fim a gente acha que chega, percebe que mais longe ele está. Já cheguei a duvidar que essa situação não fosse terminar em Apocalipse. Mas tem que continuar acreditando que uma hora vai passar. Sonhar com um dia abençoado em que todos vamos livremente nos reencontrar e comemorar a nossa sobrevivência. Aquilo que por enquanto não passa de um sonho.
Preciso dizer, é estranho ficar em casa quando cada parede relembra o problema. E mesmo saindo, não resolve. É uma agonia maior do que a de simplesmente não sair do mesmo lugar. Parece um looping infinito infeliz.
Fiz todo esse texto, só para fingir que sei explicar alguma coisa nesse caos. Algo mais literário e subjetivo talvez explicasse melhor, embora também pudesse ser um dever cumprido nos dias de semana por alunos de Literatura.
Sei lá... Tudo bem. Vou indo... E você?

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

6 Gateaway



1/2, socks, 50%, metadinha ou meia. Queria ter algum outro trocadilho melhor que se encaixasse com o termo que me pediram para comentar aqui hoje: a meia-entrada dos estudantes. A partir dos anos 90 alunos de todo o país tiveram o direito adquirido de poderem assistir a filmes no cinema por metade dos preços de entrada. Claro que agora o benefício não está sendo muito utilizado, já que não tem NENHUM filme em cartaz. Porém, quando era útil, a meia-entrada parecia algo muito justo, já que estudantes ainda estão se formando, logo, no geral, possuem menos dinheiro próprio do que alguém que já tem diploma. É uma questão muito legal porque a maioria das políticas leva em consideração a renda familiar das pessoas, sem abrir brechas para pessoas que moram de favor, ou simplesmente ainda não conseguiram dinheiro suficiente para viverem sozinhas e independentes, caso da maioria dos estudantes. Assim incentiva a cultura, facilita o acesso às artes e ainda ajuda a classe dos que trabalham para ser algo na vida, mas ainda não são droga nenhuma: nós, estudantes.
 Mas, como nesse mundo nada é perfeito, vou mostrar os pontos negativos também, e no final, vocês constroem a própria opinião de vocês. Começando pela velha e conhecida política do pão e circo. Pra quem não sabe, isso é uma artimanha de governos que não se preocupam com saúde, segurança e educação. Sou do ramo das artes, mas não vou passar pano: políticos usam a área para distrair a população de seus reais problemas. E o que isso tem a ver com a meia-entrada?  Bem, não existe "meia-entrada" em hospital particular, nem em escola. A alternativa para quem não tem dinheiro são as instituições públicas de saúde e ensino, que se não são sucateadas, servem de artimanhas de superfaturamento e/ou corrupção. "Se você pode pagar, não ocupe a vaga", essa frase muito dita ultimamente é um retrato imenso de um problema sério: não há vagas para todos. Se tudo estivesse funcionando direito, ricos, pobres e perdidos no meio do caminho; todos iriam conseguir tranquilamente ser atendidos juntos e não precisaríamos viver essa separação espacial entre as pessoas definida de acordo com o dinheiro que cada uma tem.
Mas não nos preocupemos com isso. Os cinemas reabriram e suas promoções voltaram.
rs