sábado, 27 de abril de 2019

Quem for normal, que atire a primeira pedra!





Atendendo ao primeiro pedido, muito curioso, hoje o tema do blog será anormalidades.


Como boa viciada em música que sou, não poderia deixar de começar com uma meio antiga, mas muiiito boa,"Crazy" do cantorzão da zorra australiano, Seal. O refrão dela é um lema que carrego para a vida: "we're never gonna survive, unless/ We get a little crazy", que em português significa algo próximo de "Nós nunca vamos sobreviver, a não ser que enlouqueçamos um pouco". Sempre que escuto, lembro muito de uma conversa que tive na escola, ainda no fundamental. Provavelmente  mais profunda que muitos debates universitários, em sua reflexão juvenil despretensiosa. Era um momento em que uns colegas tinham terminado os deveres de aula (ou abandonaram) e analisavam o quão anormais algumas pessoas daquela turma eram. Entre zoeiras com a cara um do outro, eu acabei entrando na conversa porque fomos percebendo que não tinha uma pessoa sequer que fosse completamente normal ali. Foi uma enxurrada de gargalhadas de nós mesmos. Tinha gente descobrindo sua sexualidade, gente com tique, manias bizarras, problemáticas pessoais, tudo junto e misturado..
Mas afinal de contas o que é ser normal? É não fugir da norma, da regra? Mas se alguém for assim, o que fará com que essa pessoa seja ela mesma? Se todo mundo atender os requisitos comportamentais, de aparência, jeito e etc, teremos todos as mesmas características. Sendo assim, não seria, basicamente, todo mundo a mesma pessoa?

Uma vez ouvi que por mais aversão que exista ao diferente, é ele que move o mundo. Faz todo o sentido. Sem um doido, uma maluquice, qualquer coisa tirada do inesperado, tudo seria exatamente sempre a mesma coisa. Infinitamente. Se hoje a raça humana existe é porque alguma coisa saiu do normal. Sim, pois se tem alguma coisa que ciência e religião concordam é que no início não havia ser-humano. Todo e qualquer movimento, seja de avanço ou regresso, depende do anormal. Para se evoluir é preciso arriscar a zona de conforto.
 É natural que se tenha medo disso. Não dá para medir a força ou avaliar com calma o impacto de algo que não prevemos. Afinal de contas, quando nosso limitado conhecimento não dá conta de uma informação, em que se apoiar?
Eu prefiro explorar as coisas novas. Há tanto para se descobrir. Até o que a gente acredita conhecer de cor e salteado, pode ter algo novo a revelar. As vezes nosso próprio auto-conhecimento nos trolla. Não se trata de necessariamente fazer sempre tudo que apareça na sua frente; isso seria tolice também. Mas respeitar, acima de tudo. Respeitar as pessoas, as culturas diferentes. Para que aquilo que faz de nós seres únicos, seja respeitado.

5 comentários:

  1. Mas, minha cara, e se o normal ja for a mudança? Se o resultado esperado da soma de todas as normalidades, e anormalidades, ja seja o progresso ao desconhecido? Será que é mais nobre sofrer as pedradas e flechadas de seguir o fluxo das coisas? Ou levantar armas contra esse oceano de problemas que é o normal? Eis a questão...

    Beijos,
    Seu grande fã

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  2. Talvez eu fique te devendo uma boa resposta. Seu questionamento é ótimo e bem profundo... Acho que o normal na verdade não existe por si só. Ele depende de uma constante de mudanças. Essas anormalidades se tornam normais até que venha outra anormalidade, como num ciclo. Mas é só um palpite meu...

    PS: Obrigada por comentar, fico feliz por estar gostando ^^

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. O normal só existe no Mundo das Ideias de Platão. Ninguém é normal aqui.

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