sábado, 22 de junho de 2019

Tocando no TOC


Esse vai ser talvez um dos textos mais difíceis que já fiz na vida. Incluindo os da faculdade. Mas sei que é quase uma responsabilidade, no lugar de fala que estou, tratar dessa questão. Dizendo o que penso num espaço onde as pessoas me ouvem, mais cedo ou mais tarde esse assunto iria aparecer, então, decidi encarar de vez.
Fui diagnosticada com TOC aos 13 anos pelo meu primeiro psiquiatra. Estando na pré-adolescência, não diria que fiquei exatamente tranquila com a notícia. Pois vejam bem, eu estava começando a descobrir quem era  e de repente vem a bomba de que cientificamente eu não passava de um tipo de doente mental (Ou como diriam os psicólogos "uma transtornada psíquica").Não podia confiar no que eu pensava, acreditava ou fazia, porque minha mente estava tomada por uma doença. O que restava de mim então?
 Lembro de uma vez estar assistindo um programa na TV sobre problemas psicológicos e fiquei noiada por um bom tempo, embora não tivesse falado sobre isso com ninguém. O programa em questão mencionou o transtorno de Ansiedade e seus derivados, onde entre eles se encaixa o maldito TOC. Até aí eu já sabia, tinha ouvido diversas explicações de especialistas sobre o que eu tinha, podia até dar uma aula sobre. O que me encasquetou foi terem chamado a doença de "mal da alma".
Só para contextualizar, cresci numa família muito religiosa e até hoje dou bastante importância para meu lado espiritual. E algo que SEMPRE me dá gatilhos de ansiedade é a sensação de culpa. Se algum dia eu te fiz alguma coisa e você vier tirar satisfação comigo, tenha certeza que, mesmo que eu não tenha demonstrado, eu já fiquei me punindo mentalmente umas 6214762174672644 vezes. Em valores aproximados.
Logo, passei o mês seguinte à presunçosa reportagem achando que minha alma estava condenada por Deus. Hoje sei que até o que um jornal diz pode ser uma enorme de uma besteira, e conseguiria eliminar esse pensamento mais facilmente da cabeça; mas em início de tratamento... Só tenho a agradecer a esses "excelentes profissionais" que escrevem sobre desgraças reais alheias. Nada contra o jornalismo galera, ainda é uma das fontes mais fidedignas de notícias que temos na atualidade. Mas não desmereçam escritores de fantasia só pelos textos não serem supostamente "reais" ;)
ENFIM, apesar de tudo, estou bem, obrigada. Mas se conhecer alguém com essa doença ou qualquer outro transtorno, lembre-se que não é frescura. Se fosse algo controlável, certamente ninguém escolheria ficar doente. Meu conselho é minimamente demonstrar para essa pessoa que ela não está sozinha. Dar o espaço que ela pedir também pode ser bom. Antes de qualquer coisa, doentes são humanos e humanos merecem respeito ✌

4 comentários:

  1. Mó merda doença mental. Os sintomas não são contagiosos como outra doença. Se tu diz que pegou uma infecção e tá com dor de barriga, a maioria passou por isso. Dor física é algo sentido por muitos. Mas a mental é raro alguém entender de verdade. Mas esse papo da religião do meio realmente pode piorar tudo. Embora tive uma colega de classe que era mega religiosa e tinha TOC. Ela nunca se culpou por isso. É um transtorno como o nome diz. Não dá pra controlar.

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  2. Eu não vejo a religião como um problema, ela me ajudou em alguns aspectos da doença TB. A questão é que era um ponto importante p mim. Poderia ter dado xabu com qualquer outra coisa que me preocupasse. Mas sim, o pior da saúde mental è distinguir qual comportamento é nosso e qual é a doença. Se as vezes nem quem tem sabe, imagine quem está de fora... Mas obrigada por comentar ^^

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  3. Doenças Mentais é um tema complexo, sinto que tenha passado por essas coisas. TOC é coisa séria, não é uma frescura, sinto que as pessoas estão ficando mais abertas, mas esse processo tende a ser lento.

    A desinformação é algo perigoso, e infelizmente alguns ditos jornalistas realmente não fazem seu trabalho da forma correta. Entendo como se sente quanto a religião, embora eu discorde bastante de certas coisas, ela foi um amparo importante para mim.

    No meu caso foi um pouco mais suave que o seu, pelo menos a minha avó e tia não me viam como um ser defeituoso, eu tinha meus problemas e precisava de um cuidado especial. Minha psicologa me diagnosticou com hiperatividade, ou seja me distraio, tenho dificuldade em concluir certas tarefas (com bem mais facilidade que uma pessoa comum), bom passei por uns perrengues, não me deixavam sair de casa e ter "amigos" porque eu poderia sair prejudicado nessas amizades (e é vdd), e me mandaram fazer um curso de informática pq essas coisas prendem minha atenção como pode ver. É foda, mas tudo bem.

    Viver é um desafio, mas para mim continuar é a melhor opção.

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  4. Força,amigo!Seguir em frente é a melhor opção na vida de qualquer pessoa em qualquer problema. O máximo que der. Eu tenho notado que o pessoal mais novo tem a mente mais aberta p isso TB. Só em ambientes de gente mais velha me sinto mais incomodada quando falo que tenho TOC. Mas realmente as pessoas compreendem mais agora. É uma característica como alergia RS

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