domingo, 27 de outubro de 2019

A Sutil Arte de Ser Fanfiqueiro


Olá, aliens, paredes e leitores fantasmas que me acompanham! Hoje no blog o texto será sobre o estudo de uma espécie rara de ser-humano: os fanfiqueiros. Essa gente que acha que pode re-escrever as histórias que eles acompanham, ou misturar algumas diferentes, juntar gente que nem se conhece, enfim... fazer balbúrdia na Literatura! 
O mais incrível: eles podem. Como? O que faz eles acharem que têm esse direito? Por que? Como se alimentam? Você descobrirá aqui, no decorrer desse post, só continue lendo (e não esqueça o comentário no final). 
Primeiramente, devemos observar os processos que formam os fanfiqueiros. Geralmente eles começam a se manifestar quando o futuro autor confunde um casal de amigos com um casal de namorados, e precisa lidar com a frustração do shipp favorito não ser real. Bem, se ele ficar revoltado e não souber conviver com isso, aí está um escritor de fanfics em potencial. Claro que esse tipo de texto não é exclusivo dos romances, então qualquer situação revoltante numa história pode ser a musa inspiradora de uma fanfic. Como uma situação real também serve para inspirar qualquer texto, então é válido dizer que um livro comum só não é uma fanfiction porque sabe fingir que é menos fictício. Já os fanfiqueiros vivem assumidamente "na Disney".
Tudo publicado nesse estudo "seríssimo" é absolutamente verídico pois meu hobby, paixão e acalento de vida são esses textinhos cheios de potencial, mas muitas vezes menosprezados. Se você escreve, deixa seu link aqui; se acompanha, diga alguma que gosta; se odeia, espero uma explicação (se houver).
Leiam na sombra e até o próximo post!



4 comentários:

  1. Confesso que estou considerando escrever uma fanfic e é isso aí mesmo, o casal de amigos que poderia estar se pegando pakas. Escrever fanfic é arte também e é tão digno quanto escrever uma original, e nós sabemos que até hoje só fiz histórias originais, então fanfic é uma coisa boa e plena que as pessoas fazem de acordo com suas preferências pessoais, mas com o desejo de mostrar sua visão de como seria aquilo, é interessante conhecer outras perspectivas.

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  2. Tentar escrever fora da área de conforto é bem interessante também. Feliz pela sua iniciativa! Boa sorte ;)

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  3. Acho fanfics bons exercícios para ter contato com as idiossincrasias da narração em si através de elementos já criados, e aí está meu "desprezo": consistem mais na seleção e combinação de elementos já existentes do que na criação de novos. Nesse raciocínio, considero-as menos criativas que textos originais, mas até onde vai a "originalidade" é algo a se pensar.

    Talvez um exemplo pontual desse problema sejam as HQs. Os autores, criadores originais do Superman, são Jerry Siegel e Joe Shuster, por exemplo -- os pais do herói. Mas ambos já estão mortos e o filho continua vivo graças a ninguém mais nem menos que os fãs, agora roteiristas oficiais que agregam suas perspectivas ao "original." A DC parece que tomou ciência disso e brincou com essa metatextualidade n'A Crise nas Infinitas Terras, e mais recentemente n'Os Novos 52. Não sei de nenhum fenômeno parecido em séculos atrás, por isso penso que é um sintoma característico da nossa cultura pós-moderna, sobretudo da internet, cuja natureza é a mesma da que desencadeia obras derivativas.

    Aí fico a pensar: que que esses caras achariam do seu filho hoje? Um autor que já disse abertamente não gostar das fanfics passadas no seu universo foi o George R. R. Martin. Me escapa a razão dele, mas imagino se tem pé também na traição da temática pretendida originalmente. Pois há quem veja os personagens como instrumentos engessados para explorar um tema, que diegeticamente falando o universo é determinista e fugir desse cenário, colocá-los em outras situações, resultaria noutra história, noutro tema, noutros personagens. Acho que é o que parece: uma parada atrelada a uma visão de mundo fatalista, trágica, em que o que define uma coisa é seu destino. Nesse sentido, mais do que visões diferentes da história, são abordagens distintas de encarar a natureza da narrativa, e é possível entender por que alguns autores não devem gostar de fanfics, ou no caso inverso, por que os fãs não gostam das perspectivas de outros autores. Afinal de contas, o que motiva alguém a escrever fanfic? Bom, falar de fanfic é falar dos meandros da narratologia em si.

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  4. Primeiramente muito obrigada pelo longo comentário! Adoro me debruçar em textos dos leitores^^
    Certamente as fanfics tem realmente um método de dobrar e desdobrar narrativas e achei bem interessante você frisar isso no início e fim do comentário. Na realidade, tem mais de criação nessas histórias do que se aparenta. Eu não cheguei a mencionar, mas alguns autores criam obras originais e ambientam elas num cenário mais famoso para ganharem projeção. Muitos textos originais também se baseiam em outras obras, mas não utilizam os elementos destas. As fanfics podem parecer um caso de apropriação falando assim, menos elaboradas que as originais, mas na realidade existe um mecanismo de regulação nas plataformas que acaba regulando a balança: o disclaimer. Sempre que alguém publica uma obra com elementos de outra história ela deve ceder os direitos da obra para o autor da original. Ou seja, um fanfiqueiro não pode ganhar dinheiro com o que escreve por mais views que tenha. Se quiser 1 real por visualização, vai ter que adaptar o texto, tirando os elementos que excluem ela da categoria "original".
    Espero ter esclarecido ^^

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